Álbum solo do vocalista do System Of A Down chega bombando!

Uma boa surpresa! É assim que vejo o primeiro trabalho solo de Serj Tankian, o vocalista e líder do System Of A Down, lançado em outubro do ano passado, mais precisamente no dia 22. O álbum, intitulado "Elect The Dead", foi gravado no próprio selo do artista de ascendência armena, o Serjical Strike e pega muita gente de supetão.

Enquanto o S.O.A.D. deu uma pausa, Tankian continuou produzindo e traz aos fãs da banda um cd que em alguns momentos chega a lembrar bastante a sonoridade do grupo que o revelou. A primeira faixa, “Empty Walls“, abre o álbum mostrando parte do que o ouvinte vai encontrar pela frente: uma canção com peso e ecos fortes. Por ter sido o próprio Serj quem executou a guitarra, é nitída a diferença do seu estilo roqueiro - porém mais melódico - com os riffs de seu de Daron Malakian, seu antigo companheiro de banda.

Mas nem por isso as músicas perdem o peso, como acontece em “The Unthinking Majority“, a segunda faixa do cd, que fala sem rodeios que uma sociedade entorpecida por anti-depressivos não consegue enxergar a verdade. Algo parecido percebe-se no refrão da 3ª música, "Money", que se transforma em pura violência, quando se espera uma canção mais amena devido a introdução tocada ao piano, também pelas mãos de Tankian.

Na faixa seguinte, é onde o cantor, compositor e escritor mostra a sua transição. "Feed Us" é uma mistura do "novo estilo" dele com o som que fez sucesso no System. Um som que mescla peso com suavidade e no refrão o vocalista se entrega sem reservas enquanto canta “you cheat us when you feed us with the lie/stars look out"(você nos engana quando nos alimenta com a mentira/Estrelas cuidado).

No entanto, Serj chama a atenção quando usa seu jeito Messias de cantar numa maneira mais sutil, que termina ampliando a contundência de sua performance e, como conseqüência, a força das suas letras. Na aguçada e quase épica “Saving Us“, o cantor deixa os gritos um pouco de lado para adotar um estilo quase sussurado de cantar. Junto a isso um riff de guitarra envolvente e você ganha uma daquelas canções que tocam profundo.

Uma sensação arrepiante deixa-se presente no primeiro single do álbum, com clipe na "pop" MTV e tudo. A sexta faixa, “Sky is Over“, soa como continuação direta de “Saving Us“ e deixa satisfeitos os fãs temporariamente órfãos da banda que era contra o sistema. Logo depois aparece "Baby", uma canção que mescla violão/piano e um Serj cantando de forma doce, com a entrada forte de guitarras e bateria junto de inúmeros gritos de "querida, oh, querida, eu sinto sua falta".

Com um título absolutamente sintomático, “Praise the Lord and Pass the Amunition“ tem ares de canção religiosa, como que numa celebração às avessas que fala diretamente a respeito dos conflitos religiosos que matam milhares de inocentes todos os dias em nome de um “Deus“ batizado de diferentes formas. Antes dela, ouve-se "Honking Antelope", que na minha opinião é aquela música que poderia ter sido tirada de um álbum do S.O.A.D. sem maiores consequências.
Os elementos típicos da herança de Serj Tankian estão visíveis de forma clara e extrapolada em “Lie Lie Lie“, que para muitos pode soar um tanto esquisita, mas é repleta de personalidade, emoção e intensidade. “Betthoveen’s Cunt“ é o inverso de "Money", pois já começa de forma avassaladora e depois acaba se tornando mais tranquila.

O álbum está quase no fim e “Elect the Dead“ vem para surpreender ainda mais. Tankian canta de forma solitária, com um quê de tristeza e melancolia ao piano. Mesmo sendo uma das duas únicas músicas que se apresenta de forma a lembrar uma canção para os apaixonados, ele continua mostrando sua força e não decepciona, trazendo uma delicadeza penetrante, algo que vem do coração e não dos pulmões.

Para finalizar, segue "The Reverend King", uma música bônus que mantém a mesma pegada da faixa-título do cd, com a diferença dos gritos e o "apoio" dos vocais de Andi Maldijian, uma das colaboradoras desse trabalho. Mas o álbum foi feito quase na totalidade pelo próprio Serj Tankian. Ele escreveu as letras, compôs as músicas, tocou muitos dos instrumentos que podemos ouvir, além de tê-lo produzido. Dos ex-companheiros de banda, contou apenas com a ajuda do baterista John Dolmayan. Fora os já citados, participaram Brian "Brain" Mantia, ex-baterista do Guns N'Roses e Dan Monti, na guitarra e baixo.

Agora é esperar pra ver a sequência da carreira desse grande artista.

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