O sabor do Pão de Açúcar: A experiência de um matuto pernambucano sobre um lugar de todas as línguas

É sábado de manhã. Estava ainda num sono recente, devido a noite de babá, ajudando a cuidar do meu sobrinho, quando escuto uma voz distante, gritando pelo meu nome. Delírio da minha cabeça, já que dormi pouco? Será que bebi tanto assim? Só me recordo de duas doses de Jack Daniels... Bem, felizmente ainda não tinha enlouquecido (completamente). Alguém realmente me chamava: era o meu pai, me despertando para que eu finalmente conhecesse os cartões postais do Rio de Janeiro. Tomo um rápido banho, café às pressas e pego um táxi. Tudo para saber o mistério sobre o verdadeiro sabor do Pão de Açúcar.

Assim que chego na Praia Vermelha, no bairro da Urca - onde o morro está localizado - me impressionei com o tamanho e a distância para o solo, digamos, seguro. No caminho para a bilheteria do bondinho, já percebi que iria me misturar com todo o tipo de gente. Vi um alemão com uma camisa da seleção brasileira – típico – guiando um grupo de cerca de 20 outros conterrâneos seus e dois casais de norte-americanos. “É, o sabor do Pão de Açúcar deve ser mesmo ímpar”, pensei eu. Paguei a “bagatela” de R$35,00 e me dirigi à fila que dava acesso ao bondinho. Olhando nas placas de informações, percebi que o morro com o qual me impressionei ainda não era o Pão de Açúcar e sim, o Morro da Urca, um meio-termo, um “intercâmbio” entre o chão carioca e o gigante saboroso.

A altura do Morro da Urca é de 401m e a distância para o "Açucarado" (nesse momento, já estava íntimo do meu colega misturado, por isso o chamo assim) é de 749 metros. Outras coisas me chamaram a atenção no percurso: o tempo que o bondinho leva para chegar aos seus destinos é pouquíssimo (cerca de 3 minutos, com uma velocidade média de 36km/h) e a quantidade de gringos que passam por ali, é realmente absurda! Não sei se foi coincidência, mas pelo pouquíssimo que sei dos outros idiomas, pude perceber pelo menos 6 origens diferentes dentre os muitos visitantes do lugar. O limite máximo do bondinho é de 60 pessoas, e, por baixo, umas 20 dessas eram de outras nacionalidades. Alemães e norte-americanos (que já citei), espanhóis, franceses, japoneses e italianos eram alguns deles.

Quando cheguei ao alto dos seus 797m, já me sentia diferente. Não sei que porra foi aquilo, mas eu mudei. Pois é minha gente, pode parecer utopia ou algo meio gay, mas aquela beleza, aquela distância da agitação do Rio de Janeiro e àquela altura toda fazem a gente ver a vida com outros olhos. Queria que os meus companheiros de blog estivessem ali comigo, naquele momento. Com certeza íamos comprar umas Skols na lanchonete lá de cima e curtiríamos o visual, além das merdas costumeiras.

Pois bem, por falar em blog, por causa desse nosso bendito espaço, eu não poderia passar por ali sem fazer o meu papel de ridículo não é? No meio de gringos e gente de todas as partes do Brasil, lá vai eu pedir para ser registrado o momento em que eu deveria mostrar que provei do Pão de Açúcar. É minha gente, eu provei e senti o sabor dele. A foto que vocês vêem nessa matéria (ou não) é do exato momento em que este reles repórter se ajoelhou, colocou a língua pra fora e abocanhou o morro. Nesta hora eu senti como se todos os olhares ali presentes estivessem virados para mim. Confesso que fiquei um pouco envergonhado, mas depois pensei “Foda-se, não devo nada a ninguém mesmo!” e curti o momento.

Eu esperava um pouco mais. O que meu paladar percebeu foi um gosto meio amargo, bastante misturado. Mas acho que tudo isso se deve ao tempero de todas as etnias que passaram e passam por ali. Querem saber qual o sabor do Pão de Açúcar? Só indo lá para saber (show de humor, hehe). Mas para não deixar vocês, meus queridos leitores, amigos, colegas e curiosos só com água na boca... Tente preparar uma massa meio grossa, sem sabor. Adicione molho choyo, uma pitada de chili, um pouco de bolonhesa, hambúrgueres, kibes, espaguete, feijoada e champanhe. É... pra falar a verdade, essas coisas não têm absolutamente nada a ver com o sabor de lá, mas quis representar um pouco da essência dos países que passam por esse monumento, através de pratos e temperos típicos =D.

Após tudo isso, descobri que o bondinho do morro completou 95 anos no último mês de outubro. A idéia e o projeto do teleférico partiram do engenheiro carioca Augusto Ferreira Ramos, que teve sua primeira parte concluída no dia 27 de outubro de 1912 e a segunda etapa foi finalizada em 18 de janeiro de 1913.

Depois do passeio fui almoçar num self-service próximo dali, peguei outro táxi e me dirigi ao Corcovado. Já tinha visto o Cristo por fotos, andando pelas ruas do Rio e também do próprio Pão de Açúcar, mas ir lá? Caraca, também foi uma experiência única! Mas essa história... eu deixo pra outra matéria. Podem esperar!

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